Deus criou o homem. O homem criou o cartão de débito. No começo tinha dado certo e todo mundo achou que isso era legal, tanto a primeira criação como a segunda. Aí a primeira criatura decidiu tarifar pela segunda e a primeira criatura, em resposta, decidiu limitar produtos e valores vendidos com a segunda coisa.
Resultado: mesmo tendo cartões de débito, pessoas normais, como eu e você, ainda precisamos recorrer ao vil metal para pagar passagens de metrô e maços de cigarro. A primeira não é nem tanto problema: gaste mais de 35 reais e eles passam no débito, sem frescura. Já os velhos bastonetes nicotinosos...
Nem pergunto mais se "passa no débito" ou não. Dirijo-me a um TAA (ou traduzindo do bancariês: caixa eletrônico) para pegar o dito dinheiro. Seria mais prático se eu pudesse sacar no caixa em notas de 10, 20, 50, 100 ou Marlboro, afinal ele já foi até popular como moeda de troca no sistema carcerário.
Problema 1 - Fila: Não sei o que atrai tantas pessoas ao caixa eletrônico. Acho que são os botões grandes e telas coloridas, que nos atraem desde pequenos. O fato é que tem fila e é grande, e não precisa nem ser um banco muito popular: acho que se banco de esperma tivesse caixa eletrônico, teria fila. Devaneando rapidamente, qual seria a transação mais comum: saque ou depósito?
Problema 2 - Mau uso: E não é só as depredações comuns. Gente que esquece a primeira senha, gente que esquece a segunda senha, gente que esquece a primeira e a segunda senha, gente que tenta sacar um valor maior que o que tem em conta, gente que tira o cartão quando a máquina não mandou tirar, gente que coloca o cartão quando a máquina não mandou colocar, gente que põe o cartão quando a máquina mandou tirar...
(Falando em depredação, porque não temos aqueles papeizinhos de "serviços do prazer" em caixas eletrônicos? Tem nos orelhões, sob a alegação de que as pessoas os usam para ligar para elas. Por quê não nos caixas, já que as pessoas estão com o dinheiro na mão? "Vamos lá: 200 pras contas, 100 pras compras... sobra 100. Acho que vou ligar para a Ninfeta 21 Mignon".)
Problema 3 - Falta de consideração com Deus e todo mundo: Colocar crédito no celular pelo é a operação mais lenta que pode ser feita em um caixa eletrônico, considerando o uso correto do sistema. Mas, como a pessoa teve que esperar todo mundo fazer suas coisas, vai querer fazer tudo que tem direito, inclusive votar na pesquisa de satisfação.
Tirando sacar, depositar e meia dúzia de tarefas toscas, as outras coisas podem (e deveriam) ser feitas pela Internet. Precisa de extrato dos últimos três meses, tá lá. Precisa saber qual o seu limite de compras no cartão de crédito, com dois ou três cliques.Está ouvindo um murmurinho de fundo? Ah, é o pessoal alegando que a Internet não é segura para essas coisas. Pois então pare de abrir (e repassar) aqueles "Power Points" toscos e aqueles emails de pornografia, coloque um anti-virus decente e rode ele uma vez por semana. Pronto! Ambiente seguro para transações bancárias!
Ainda tem medo? Use o telefone! É mais seguro que ir ao banco. "Ah, mas podem ter grampeado meu telefone". Será que se seu telefone estiver grampeado, a fatura do seu cartão é a maior das suas preocupações?
Uma árvore gera 41 quilos de papel. Supondo que cada extrato pese 50 gramas em CNPT, um caixa eletrônico derruba, só de papeizinhos amarelos, pelo menos uma árvore por dia.E ainda tem o fato de que esse tipo de pessoa prejudica pessoas como eu: doidas para fumar e que tem que esperar mais quinze minutos sem nicotina na fila de um caixa.
quarta-feira, março 12, 2008
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